... e o património imaterial português:
Ainda a propósito do planeta, Nuno Brito faz aqui música usando a Natureza, sobretudo a Água. Ora vejam:
Menin@s, aqui fica uma sugestão para leitura e muito estudo... um blogue com conteúdos de Língua Portuguesa 5º e 6º anos. Aproveitem e vão-se preparando já para o exame!
Entretanto, boas pausa!
A arte de passear passarinhosConheci Damião em Mata Escura, um subúrbio pobre de Salvador da Bahia. Era um adolescente magro, de olhos enormes e redondos, que brilhavam sem sossego contra o suave negrume da pele. Vi-o com duas gaiolas, uma em cada mão, e julguei que vendesse pássaros.
“Papa-capim”, disse-me: “machos. As fêmeas não cantam. São mais devagar.”
Agradou-me o canto dos pássaros. Quanto custavam?
O rapaz encolheu os ombros magros, surpreso. Não estavam à venda. Não lhe pertenciam. Ele apenas os passeava.
“Passeias passarinhos, tu?!”
Que sim, passeava-os. Os papa-capim cantam melhor se os passearem. Damião passeia outros pássaros: curiós, cardeais, coleiros, batuques, bicudos, arapongas, canários. Leva as gaiolas por entre o trânsito, num equilíbrio difícil, até um pequeno jardim e pendura-as numa árvore. Pagam-lhe por isso. Muito pouco, pois os proprietários das aves são gente humilde. O suficiente para não morrer de fome.
Damião já foi Cosme. Cosme era “avião”, o nome que se dá aos meninos que trabalham para os traficantes de drogas levando e trazendo encomendas. Depois deram-lhe uma arma. Chegou a ganhar 1500 reais por semana – cerca de 500 €. Comprou pulseiras de ouro. Relógios caros. Sapatos de ténis, roupas de marca.
Cosme tinha um irmão gémeo, chamado Damião, que não queria ter nada a ver com o tráfico. Passeava passarinhos. Uma noite a polícia entrou na favela e arrombou a porta do barraco onde os dois gémeos viviam com a mãe. Vinham à procura de Cosme e encontraram Damião. A mãe, desesperada, tentou chamar-lhes a atenção para o equívoco. Riram-se dela. Um dos polícias encostou uma pistola à cabeça de Damião e disparou. A mãe enlouqueceu de dor. Vagueava pelo abismo das ruas gritando o nome do filho morto. Cosme enterrou o irmão com os seus relógios e colares de ouro, óculos Ray-Ban, uns ténis que acendiam luzes. Enterrou-se a ele mesmo. A partir daquele dia passou a ser Damião. Fê-lo com tal convicção, tanto desprendimento e dedicação, que não só os vizinhos, os traficantes e a polícia se convenceram de que quem morrera fora de facto Cosme, como a própria mãe despertou uma manhã reconciliada com a vida.
“Damião”, perguntou a Cosme: “Você sabe me dizer como se chama a uma mãe que perde um filho? Essa dor não tem nome. Não chorarei mais. Seu irmão escolheu a morte. Você vai viver pelos dois.”
Limpou as últimas lágrimas e foi procurar trabalho na Feira de São Joaquim. Cosme, aliás, Damião, gosta do seu ofício. Conhece os caminhos que alegram os pássaros, o fresco das sombras que os fazem cantar.
É feliz? Talvez não, mas um dia chega lá.
in Público, 12 de agosto de 2006

Ébano (nome): madeira de cor escura, quase preta
Ebulição (nome): que ferve, efervescência
Eduzir (verbo): deduzir, concluir
Egocêntrico (adj.): que se preocupa exclusivamente com a sua própria pessoa; egoísta
Eivar (verbo): contaminar
Emérito (adj.): jubilado; alegrado
Empolado (adj.): inchado
Emproado (adj.): que tem a proa virada para determinada direção
Emulativo (adj.): que produz emulação, satisfação
Encrenca (nome): pessoa inútil, desleixada, que complica tudo
Enfado (nome): aborrecimento
Enlevar (verbo): encantar, extasiar
Enregelar (verbo): congelar, ficar frio
Entorpecido (adj.): sem energia, enfraquecido
Enveredar (verbo): seguir em determinada direção
Escafandro (nome): fato de borracha que permite mergulhar
Escarlate (nome/ adj.): de cor vermelha
Espicular (verbo): dar forma de espiga
Espoar (verbo): limpar o pó
Êxtase (nome): arrebatamento, estado de quem está maravilhado com alguma coisa que vê
Em caso de dúvida, consulte-se um dicionário! Por exemplo, este ou este.
Bruno Pinto: Eu gosto de devaneios.
João: O António comeu um damasco.
Francisco P: O meu dentista é docente na Faculdade de Medicina Dentária.
Gabriela: Ele fez um comentário depreciativo.
Carolina: Ele está decúbito.
Maria: Os defuntos são enterrados no cemitério.
Inês C: Quando fui ao Planetário, vi um Deltoto.
Daniela: O meu avô tem um dardo guardado em casa há vinte anos.
Catarina: A mãe da Margarida mandou-a ir comprar um detersório.
Nayane B: Eu comi um damasco.
Bruno G: A noz é um durázio.
Xiao: A bruma desnorteia o navegante.
Guilherme: Vasco da Gama demandou a Índia.
Rodrigo: Eu dimidiei uma maçã.
Ana Rita: Vou desarraigar aquela planta venenosa.
Dactiliografia (nome): descrição das pedras preciosas, ou de anéis gravados
Dafnáceas (nome): família de plantas
Damasco (nome): fruto pequeno amarelo
Dardo (nome): arma de arremesso em forma de lança
Deambular (verbo): passear
Debicar (verbo): comer pouco
Débil (adjetivo): que não tem força
Debruçar-se (verbo): pôr-se de bruços.
Decúbito (adjetivo): posição de quem está deitado
Defunto (nome): Pessoa que morreu; morto
Degelo (nome): fusão de gelo
Delito (nome): Infração à lei
Deltoto (nome): grupo de estrelas em forma de triângulo, junto à constelação da Andrómeda
Demandar (verbo): ir à procura de, buscar
Depravar (verbo): corromper.
Depreciativo (adjetivo): que envolve depreciação.
Depurar (verbo): tornar puro, limpar
Derrogar (verbo): revogar principalmente, abolir, anular.
Desabrir (verbo): irritar-se
Desacertadamente (adv.): erradamente
Desancar (verbo): bater, maltratar
Desarraigar (verbo): arrancar pela raiz
Desautorar (verbo): desautorizar, destituir
Desborrar (verbo): tirar as borras
Desbrio (nome): falta de brio (orgulho)
Descomedir-se (verbo): praticar excessos, disparatar
Desgalgar (verbo): descer apressadamente
Desinência (nome): extremidade de um órgão
Desinquietar (verbo): desafiar para o mal
Deslumbrante (adj.): maravilhoso, assombroso
Desnortear (verbo): desviar do rumo, fazer errar no caminho
Despojado (adjetivo): descontraído, relaxado, informal
Destarte (adv.): deste modo, desta forma, assim
Desvão (nome): recanto
Desvergonhamento (nome): desvergonha
Detersório (nome): detergente
Déu (nome): andar de déu em déu – andar de casa em casa.
Deunce (nome): onze duodécimas partes da unidade
Devaneio (nome): fantasia
Diáfano (adjetivo): translúcido ou limpo
Diluvioso (adj.): que causa inundações
Dimidiar (verbo): dividir ao meio
Diminuto (adj.):pequeno, reduzido, diminuído
Discente (nome): aluno, discípulo
Discordância (nome): divergência, desacordo
Dispneia (nome): dificuldade em respirar
Disseminação (nome): Transporte e dispersão das sementes por ação do vento, da água ou dos animais
Dobadeira (nome): mulher que doba
Docente (nome): professor
Dormideira (nome): espécie de papoila
Duplex (nome): habitação de dois andares que comunicam entre si
Durázio (adj.): com casca rija
Em caso de dúvida, consulte-se um dicionário! Por exemplo, este ou este.